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As pessoas vão ao Teatro porque sabem que nessa noite o homem pode cair do trapézio (Orson Welles)

6.22.2006

XI Curso de Iniciação Tetral do CCP/ICA propõe “Ilha Ancorada”




A curiosidade paira no ar. E, tal como todos os anos, todos estão de olhos postos no trabalho final dos alunos de mais um curso de iniciação teatral.
Estes são os décimo-primeiros e têm uma proposta que, com certeza, será interessante: uma história que passa numa ilha, tendo como pano de fundo um dos mais importantes movimentos culturais e literários de nossa história – Claridade.
Serão desasseis alunos em palco. A maioria pisará um palco pela primeira vez. E nós que já passamos por isso sabemos que aquele “nervosinho” começa a aproximar-se.
A essa nova fornada de novos actores, e não só, sarron.com deseja força e os maiores sucessos com “Ilha Ancorada”.

Sobre a Peça
No ano em que a revista «Claridade» comemora os seus 70 anos, o XI Curso de Iniciação Teatral do CCP/ICA procura explorar o universo de toda uma geração literária, que marcou de forma indelével a historiografia cultural do arquipélago.

«Ilha Ancorada» aborda uma das temáticas centrais da alma profunda da nação cabo-verdiana: a contradição entre o querer partir e o ter que ficar, o sempre presente apelo para tentar outra sorte para a vida fora do país e a saudade que aperta, mais e mais, quando os sonhos se esfumam na dura realidade do dia-a-dia em terra estranha.

Embora a época retratada esteja algures situada entre os anos 20 e 40, o universo poético e literário criado reflecte o que ainda hoje trespassa na alma de todo o ilhéu crioulo. O personagem principal, Maninho, tem que fazer a sua escolha, entre «o futuro nas mãos ou o presente no chão firme que os pés pisam», tão presente na sociedade, ontem, hoje e certamente nos amanhãs que estão por vir. Escolher entre emigrar, abraçando um futuro incerto ou ficar – quem sabe para sempre – pregado num chão seco e sem perspectivas, são estes os dois caminhos, as duas escolhas que visitam a cada momento o homem das ilhas. Em cada ilha, em cada local, em cada casa, há-de haver almas, como as do nosso protagonista, indecisas, divididas, ambíguas.

Decidir entre cá e lá, é como escolher entre dois filhos, entre dois futuros, duas vidas. Não se pode fazê-lo sem sangrar o coração do crioulo. Para o estancar e não soçobrar, resta-nos alimentar o que em nós sempre ficará, seja qual for o local para onde possamos ir: a cultura, essa âncora essencial para a sobrevivência de qualquer povo.

João Branco
Director Artístico do CCP Mindelo / ICA

Para ver no Centro Cultural do Mindelo nos dias 30 de Junho, 1 e 2 de Julho.

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