Sarron.com - Teatro & Companhia

As pessoas vão ao Teatro porque sabem que nessa noite o homem pode cair do trapézio (Orson Welles)

9.21.2006

Crítica a "Um Vez Soncente Era Sábe"


Um musical cabo-verdiano


A abrir o Mindelact 2006 tivemos um musical da autoria de Neu Lopes, um jovem mindelense, numa produção do Sarrom.com.

Esta peça, arrojada na sua estética transportou-nos para a memória daquele teatro dos primeiros tempos teatrais neste país, onde o salão era o palco por excelência. Retrata o universo mindelense no início do século XX. Comédia musical, assim apelida o seu criador, este espectáculo apresenta-nos um drama romântico como linha dramatúrgica, sendo que, passou muito ao de frágil a sua eficácia. Leva a supor que esta história de amor fatal se mostrou mais secundária do que principal, e o público sentiu-se mais agarrado à história das meninas do salão, essa sim, vertente bastante sublinhada e acarinhada pelo público.

Uma abertura original do festival, um género raramente apresentado, com uma recepção francamente optimista. Com elementos de vários grupos de teatro mindelense, cito Solaris, GTCCPM, Sarrom.com, Teatroakácia e Dionisios, este espectáculo apesar da sua deficiente concretização técnica, onde nos deparamos com problemas de som perturbadores e alguma imaturidade do trabalho interpretativo, conseguiu cativar um público que sem lugar ao tédio assistiu ao seu desenrolar.

Apesar de alguma falta de ritmo, este espectáculo teve momentos bastante interessantes, como sejam as coreografias e musicas das nossas meninas do salão, que se tornaram eco no festival, e por todo o lado fomos sendo brindados por um «Nôs ê profissional!!!», desde a produção do festival até aos grupos convidados, passando pelo simples espectador, o que demonstra o forte eco que a peça provocou.

Com uma excepcional sonoplastia, nem sempre os actores conseguiram estar à altura dos acordes. Ao nível do movimento, aponto ainda a luta entre o Djo Diabo e Raf, contracena criativa e tecnicamente bastante interessante.

A sala estava lotada, e houve um grande número de pessoas que não conseguiram lugar, o que mais uma vez vem reforçar o carácter já quase ritualista deste espaço e tempo chamado Mindelact.

Micaela Barbosa

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